domingo, 15 de outubro de 2017

São Tomás: as vias da perfeição e da ordem do universo para provar que Deus existe

S.Tomás de Aquino (entre Platão e Aristóteles)
esmaga Averroes. Benozzo Gozzoli.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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QUARTA VIA: OS DIFERENTES GRAUS DE PERFEIÇÃO

Vemos que todas as coisas possuem qualidades: beleza, cor, doçura, etc. E vemos que é necessário que haja em algum lugar algum ser que possua essas qualidades na perfeição.

Procuramos o quadro perfeito, a rosa perfeita, a bebida perfeita, o amigo perfeito, etc.

Esse ser perfeito é uma necessidade. E o ser supremamente perfeito que tem em si todas as qualidades é Deus.

Explica São Tomás (“Suma Teológica”, I 2,3):

“A quarta via considera os graus de perfeição que há nos seres.

“Vemos nos outros seres que uns são mais ou menos bons, verdadeiros e nobres do que outros, e o mesmo acontece com as diferentes qualidades.

“Mas, o mais e menos se atribui às coisas segundo a sua diferente proximidade do máximo, e por isto se diz que uma coisa está tanto mais quente quanto mais se aproxima do calor máximo.

Astrônomos contemplam a esfera celeste,
Harvard University, Houghton Library.
“Portanto, deve existir algo que seja verdadeiríssimo, nobilíssimo, ótimo, e, por isso, ente ou ser supremo; pois, como diz o Filósofo, o que é verdade máxima tem o mais alto valor.

“Ora bem: o máximo em qualquer gênero é a causa de tudo o que naquele gênero existe, e assim o fogo, que tem o máximo calor, é causa do calor de tudo o que é quente.

“Existe, por conseguinte, algo que é para todas as coisas existentes causa do seu ser, de sua bondade e de todas as suas demais perfeições.

“E a esse Ser perfeitíssimo, causa de todas as perfeições, chamamos Deus”.


QUINTA VIA: A FINALIDADE E A ORDEM DO UNIVERSO

Tudo o que existe tem uma finalidade. Inclusive as coisas que não tem inteligência agem visando um fim.

E todas essas coisas agem com uma harmonia de fundo: por exemplo os insondáveis e admiráveis equilíbrios que permitem a existência da vida na Terra.

Esfera celeste, Cambridge, Harvard University,
Houghton Library, MS Typ 007
Logo há uma causa que governa todos esses fatores para que possam atingir harmonicamente o equilíbrio final.

Essa causa chama-se Deus.

Assim, o demonstra São Tomás na “Suma Teológica” (I 2,3):

“A quinta via é tomada do governo do mundo.

"Vemos, com efeito, que coisas que carecem de conhecimento, como os corpos naturais, operam para um fim, o que se comprova observando que sempre, ou a maior parte das vezes, trabalham da mesma maneira para conseguir o que mais lhe convém; donde se deduz que não tendem a seu fim por casualidade ou ao acaso, mas operando intencionalmente.

“Ora bem: é evidente que o que carece de conhecimento não tende a um fim se não o dirige alguém que entenda e conheça, do mesmo modo que o arqueiro dispara a flecha rumo ao alvo.

“Logo existe um ser inteligente que dirige todas as coisas naturais a seu fim, e a este chamamos Deus.”


Se seu email não visualiza corretamente o vídeo embaixo CLIQUE AQUI

Vídeo sobre as provas racionais da existência de Deus.





AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 8 de outubro de 2017

Invenções e instituições criadas na época medieval

Mestre relogeiro. Jean Suso, "L'horloge de la Sapience", século XV.
BnF, français 455, folio 4
Luis Dufaur
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Se há algo de espantar na Idade Média é a vertiginosa multiplicação de novas instituições e realizações materiais.

Uma das mais incríveis para os antigos foi a criação dos hospitais. Hoje nós achamos que é a coisa mais natural do mundo.

Tão natural que, se não existissem, os homens clamariam em altas vozes pela sua criação.

Mas nada de semelhante existiu na Antiguidade e nem mesmo nas civilizações pagãs mais requintadas.

O doente ficava entregue a si mesmo, a curas caseiras e, para os mais ricos, o recurso a médicos que mais pareciam com aprendizes ou pais de superstição.

Um início de racionalização da medicina aconteceu na Grécia. Mas faltava de todo a caridade cristã, única capaz de levar homens e mulheres a sacrificar suas vidas pelos doentes.

Foi este sacrifício que fizeram as Ordens religiosas masculinas e femininas que assumiram os cuidados dos doentes e o desenvolvimento da medicina.

domingo, 1 de outubro de 2017

Criação das universidades na época medieval

Universidade de Cambridge, Inglaterra
Universidade de Cambridge, Inglaterra
Luis Dufaur
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Muitos ainda repetem o velho “chavão” de que a Idade Média foi uma época de trevas, ignorância, superstição e repressão intelectual.

Mas não é preciso ir muito longe para verificar o contrário.

Basta considerar uma das máximas realizações medievais: as universidades.

Aliás, foi um aporte exclusivo à História. Nem Grécia ou Roma conheceram algo parecido.

A Cátedra de Pedro foi a maior e mais decidida protetora das universidades. O diploma de mestre, outorgado por universidades como as de Bolonha, Oxford e Paris, dava direito a ensinar em todo o mundo.

Gregório IX aprova os Decretais, Rafael, Stanza della Segnatura, Roma
Gregório IX aprova os Decretais, Rafael, Stanza della Segnatura, Roma
A primeira que ganhou este poder foi a de Toulouse, na França, das mãos do Papa Gregório IX, em 1233.

A Igreja protegeu os universitários com os benefícios do clero. Os estudantes da Sorbonne dispunham de um tribunal especial para ouvir suas causas.

Na bula Parens Scientiarum, Gregório IX confirmou à Universidade de Paris o direito a um governo autônomo e a fixar suas próprias regras, cursos e estudos.

Também a emancipou da tutela dos bispos e ratificou o direito à cessatio — a greve das aulas — se os seus membros fossem objeto de abusos, como aluguéis extorsivos, injúrias, mutilação e prisão ilegal.

Os Papas intervinham com força, a fim de que os professores fossem pagos dignamente.

Completados os estudos, o novo mestre era oficialmente investido. Em Paris, isso ocorria na igreja de Santa Genoveva, padroeira da cidade. O novo mestre ajoelhava-se diante do vice-chanceler da Universidade, que pronunciava esta bela fórmula:

"Eu, pela autoridade com que fui revestido pelos Apóstolos Pedro e Paulo, vos concedo a licença de ensinar, comentar, disputar, determinar e exercer outros atos magisteriais seja na Faculdade de Artes de Paris, seja em qualquer outra parte, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amem”.

domingo, 24 de setembro de 2017

Os hospitais: frutos da caridade
desconhecidos antes da Idade Média

Hospital de Beaune, França
Hospital de Beaune, França
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As ordens militares, fundadas durante as Cruzadas, criaram hospitais por toda a Europa.

A Ordem dos Cavaleiros de São João (ou Hospitalários, que deu origem à Ordem de Malta) criou um hospital em Jerusalém por volta de 1113.

João de Würzburg, sacerdote alemão, ficou pasmo com o que viu ali.

"A casa — escreveu ele — alimenta tantos indivíduos fora dela quanto dentro, e dá um tão grande número de esmolas aos pobres, seja os que chegam até a porta, seja os que ficam do lado de fora, que certamente o total das despesas não pode ser contado, nem sequer pelos administradores e dispensários da casa". (p. 178)

As citações deste post são do livro do prof. Thomas E. Woods, Jr. Ph. D., “How the Catholic Church built Western Civilization”, Regnery Publishing Inc., Washington D. C., 2005, 280 págs.

Esse livro foi publicado no Brasil com o título “Como a Igreja construiu a Civilização Ocidental”, editora Quadrante, SP, 2008, 222 págs.

domingo, 17 de setembro de 2017

Torneio para comemorar a reedificação do castelo de Windsor

Cavaleiros, Warwick
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Coisa curiosa, os medievais tinham uma vida quotidiana extraordinariamente entretida. Tal vez por isso mesmo, interessavam-se pouco por deixá-la descrita em pergaminhos. Quem iria a ler o que via com seus próprios olhos no dia-a-dia?

Foi preciso que autores de séculos posteriores tentassem reconstituir aquela vida animadíssima da era medieval.

Entre esses, esteve o escritor francês Alexandre Dumas. Romancista de fértil imaginação, ele quis descrever uma justa medieval com fidelidade histórica de pormenores. Para isso foi tirar da celebre crônica de Jean Froissard os dados históricos, como ele mesmo deixa claro em várias partes de sua obra.

Eis o resultado:

domingo, 10 de setembro de 2017

A Cristandade medieval instaurou a paz de Cristo na Europa

A sagração dos reis da França: um dos pontos altos da suavização dos costumes na Idade Média
A sagração dos reis da França:
um dos pontos altos da suavização dos costumes na Idade Média
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O sistema feudal maneja toda uma sucessão de arbitragens naturais: o vassalo pode sempre recorrer de um senhor ao suserano deste último; o rei, à medida que a sua autoridade se estende, exerce cada vez mais o seu papel de mediador; o Papa, enfim, continua o árbitro supremo.

Basta, frequentemente, a reputação de justiça ou de santidade de um grande personagem para que se recorra, assim, a ele.

A Idade Média não contestou o problema da guerra em geral, mas, por uma série de soluções práticas e de medidas aplicadas no conjunto da Cristandade, restringiu sucessivamente o domínio da guerra, as crueldades da guerra, as durações da guerra. É assim, com leis precisas, que se edificou a Cristandade pacífica.

A primeira destas medidas foi a Paz de Deus, instaurada desde o fim o século X: é também a primeira distinção que foi feita, na história do mundo, entre o fraco e o forte é feita proibição de maltratar as mulheres, as crianças, os camponeses e os clérigos; as casas dos agricultores são declaradas invioláveis como as igrejas.

A grande glória da Idade Média é ter empreendido a educação do soldado, é ter feito do soldado da velha guarda um cavaleiro.

domingo, 3 de setembro de 2017

Nobilitação do estado matrimonial e proteção da mulher e das crianças: outros legados medievais

Cerimônia de casamento nos séculos XII e XIII
Cerimônia de casamento nos séculos XII e XIII
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Os bispos carolíngios do século IX tentaram regulamentar o casamento cristão, redigindo uma série de tratados (espelhos).

Neles, o casamento era valorizado, a mulher reconhecida como pessoa com pleno direito familiar e em pé de igualdade com o marido e a violência sexual denunciada como crime grave e do âmbito da justiça pública .

As crianças também foram objeto de reflexão nesses espelhos: a maternidade foi considerada um valor (charitas) e o casal tinha a obrigação de aceitar e reconhecer os filhos.

Assim, a ação da ordem clerical foi dupla: de um lado, os bispos lutaram contra a prática do infanticídio, de outro, os monges revalorizaram a criança, que passou por um processo de educação direcionada, de cunho integral e totalmente igualitária.

domingo, 27 de agosto de 2017

Limpo como na Idade Média

Preocupações com a qualidade dos alimentos e problemas da cozinha
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A higiene não é uma descoberta dos tempos modernos, mas “uma arte que o século de Luiz XIV menosprezou e que a Idade Média cultuou com amor”, escreveu a historiadora Monique Closson.

Ela é autora de numerosos livros sobre a criança, a mulher e a saúde no período medieval.

No estudo de referência “Limpo como na Idade Media”, a historiadora mostra com luxo de fontes que desde o século XII são incontáveis os documentos como tratados de medicina, ervolários, romances, fábulas, inventários, contabilidades, que nos mostram a paixão dos medievais pela higiene. Higiene pessoal, da cozinha, das oficinas, etc.

As iluminuras dos manuscritos são documentos insubstituíveis onde os gestos refletem o “clima psicológico ou moral da época”.

O zelo pela higiene veio abaixo no século XVI, com a Renascença e o protestantismo.

domingo, 20 de agosto de 2017

Alguns grandes nomes da ciência medieval

Santo Alberto Magno, St Dominic, Londres
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Alberto Magno (1193-1280), o Doutor Universal, foi o principal representante da tradição filosófica dos dominicanos.

Além disso, é um dos trinta e três Santos da Igreja Católica com o título de Doutor da Igreja.

Tornou-se famoso por seu vasto conhecimento e por sua defesa da coexistência pacífica da ciência com a religião.

Alberto foi essencial em introduzir a ciência grega e árabe nas universidades medievais, mas nunca hesitou em duvidar de Aristóteles.

Em uma de suas frases famosas, afirmou: a ciência não consiste em ratificar o que outros disseram, mas em buscar as causas dos fenômenos. Tomás de Aquino foi seu aluno.

Robert Grosseteste (1168-1253), Bispo de Lincoln, foi a figura central do movimento intelectual inglês na primeira metade do século XIII e é considerado o fundador do pensamento científico em Oxford.

Tinha grande interesse no mundo natural e escreveu textos sobre temas como som, astronomia, geometria e óptica.

domingo, 13 de agosto de 2017

Nobre ou burguês? Escolha: pagar imposto com seu sangue ou com mercadorias?

Nobre cavaleiro medieval
Nobre cavaleiro medieval
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A imagem representa um nobre.

Alguém diria:

“Que diferença! Como é mais agradável ser este nobre!

“Olha como ele é bonitão, como ele está bem armado, como ele cerra de cima!

“Que majestade que tem esse homem! Eu gostaria de ser mais esse homem do que um burguês”.

A resposta é imediata:

“Meu caro, tem bom gosto! Mas, antes de optar, pense um pouco. Os nobres eram os guerreiros da sociedade. A Idade Média não tinha serviço militar obrigatório.

“Só quando a cidade ou a região era atacada que os habitantes da cidade deviam defendê-la. Se o inimigo fugisse, acabava a guerra para eles; se o inimigo tomasse a cidade, também os habitantes desta ficavam lá. O inimigo ia embora e eles ficavam na paz.

“Mas o nobre, não. O nobre tinha obrigação de defender o país. E quando o rei convocava para a guerra, o nobre tinha que ir, pagando de seu bolso os soldados que ele levava.

“O nobre era a classe militar – que derramava seu sangue em todos os campos de batalha da Europa.

domingo, 6 de agosto de 2017

Imperador Carlos Magno: nome que ecoa pelos séculos!

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O que é mais admirável em Carlos Magno: o homem de piedade ou o guerreiro? O diplomata ou o organizador do Império? O restaurador da cultura ou o fundador de uma dinastia?

Sinto mal-estar diante da pergunta. Não porque ela não tenha sentido — pode-se fazer tal pergunta, ela tem razão de ser —, mas o modo como ela é feita tende a omitir o mais importante: todo o conjunto.

A questão está mal formulada, porque essas qualidades admiráveis não se excluem. Elas devem ser consideradas concretamente em um homem, e não abstratamente.

Ou seja, no Imperador do Sacro Império, tais qualidades formam um todo que o representa. Uma totalidade que fez com que os dois nomes “Carlos” e “Magno” adquirissem som de prata e de bronze, que ecoa pelos séculos.

Esse é a característica própria de Carlos Magno, que é muito maior do que a soma daquelas qualidades.

domingo, 30 de julho de 2017

Como passar do caos à Civilização. A obra beneditina

São Bento
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No Oriente houve santos ermitões que poucas vezes comiam ou dormiam, outros ficavam em pé sem movimento semanas a fio, ou encerravam-se em túmulos durante anos. São vocações especiais.

No Ocidente, o monaquismo foi estruturado por São Bento de Núrsia.

Sua regra é de uma moderação e de um senso da ordem admiráveis.

Até inícios do século XIV os beneditinos tinham dado à Igreja 24 Papas, 200 cardeais, 7.000 arcebispos, 15.000 bispos e 1.500 santos canonizados. Em seu auge, a Ordem Beneditina reuniu 37.000 mosteiros.

E não é uma questão apenas de números.

A Ordem era tão admirada, que nela foram concluir seus dias 24 imperadores, 10 imperatrizes, 42 reis e 15 rainhas.

domingo, 23 de julho de 2017

A Igreja medieval glorificou a santidade da família,
a caridade, a vida e a Moral

Luis Dufaur
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As religiões pagãs demonstraram - e demonstram ainda - um espantoso menosprezo pela vida. O prof. Thomas Woods da alguns exemplos no vídeo embaixo.

A Igreja Católica recolocou a santidade da família - fonte da vida -, da vida e da Moral no ponto central rodeado de respeito e veneração.

W. E. H. Lecky, citado por Woods, destaca que nem na prática nem na teoria a caridade ocupou na Antiguidade uma posição comparável à que teve no Cristianismo.

O historiador da medicina Fielding Garrison mostra que antes de Cristo "a atitude face à doença e à desgraça não era de compaixão. O crédito de cuidar dos seres humanos enfermos em grande escala deve ser atribuído à Igreja”.

Os cristãos causavam admiração pela coragem com que atendiam os agonizantes e enterravam os mortos.

Os pagãos abandonavam em ruas e estradas os parentes e melhores amigos doentes, semi-mortos, ou mortos sem enterrar.

domingo, 16 de julho de 2017

A Igreja inspirou os sistemas jurídicos baseados no Direito


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Segundo o professor de Direito Harold Berman, citado pelo Prof. Thomas E. Woods, os modernos sistemas legais "são um resíduo secular de atitudes e posições religiosas, que têm sua primeira expressão na liturgia, ritos e doutrinas da Igreja, e só depois nas instituições, conceitos e valores da Lei" ("How the Catholic Church built Western Civilization", p. 187).

A Igreja restaurou o direito dos romanos, aportando uma contribuição própria inapreciável.

O Papa Gelásio definiu os limites da ordem temporal e espiritual.

O primeiro corpo sistemático de leis foi o Código Canônico.

O conceito de direitos individuais, que se atribui erroneamente aos pensadores liberais dos séculos XVII e XVIII, de fato deriva de Papas, professores universitários, canonistas e filósofos católicos medievais.

domingo, 9 de julho de 2017

A concepção medieval da arte,
o símbolo e as "Bíblias dos pobres"


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A Idade Média concebeu a arte como um ensinamento.

Tudo o que era necessário ao homem conhecer — a História do mundo desde a Criação, os dogmas da Religião, os exemplos dos santos, a hierarquia das virtudes, a variedade das ciências, das artes e das profissões — lhe estava ensinado pelos vitrais da igreja ou pelas estátuas dos pórticos.

A catedral mereceu ser conhecida por este nome tocante: “A Bíblia dos pobres”.

Os simples, os ignorantes, todos aqueles que constituíam “o povo santo de Deus”, aprendiam pelos olhos quase tudo que sabiam de sua Fé.

Aquelas grandes imagens, tão religiosas, pareciam testemunhar a verdade daquilo que a Igreja ensinava.

domingo, 2 de julho de 2017

A Idade Média achava que a Terra era plana?

Deus Criador, geometra, Codex Vindobonensis 2554
Luis Dufaur
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Na revista de número 01 da coleção sobre História da ciência da Scientific American, Rudolf Simek desmonta, com muitos documentos, de que na Idade Média, com base na Bíblia, se acreditava que a Terra era plana.

Essa ideia foi principalmente de muitos ateus de séculos passados mas é hoje repetida por alguns desatualizados:

“A ideia de que antes da Renascença a Terra era considerada plana, ainda persiste, explicou o prof. Rudolf Simek.

“No entanto, a esfericidade do Planeta já era admitida na época medieval”

“[...] Em 1492, quando Martin Behaim fabricou o primeiro globo terrestre e o chamou de Erdapfel (“maçã terrestre”), ele se remeteu à tradição medieval. [...]

“O manual de astronomia mais conhecido nas universidades medievais era o Liber de Sphaera (“Tratado sobre a esfera”), escrito pelo inglês Jean de Sacrobosco, na primeira metade do século XIII.

“O autor tratava das bases da geometria e da astronomia, apresentando provas evidentes da esfericidade da Terra e de outros corpos celestes. [...]

domingo, 25 de junho de 2017

Importância de Carlos Magno na promoção da educação e da cultura

Carlos Magno ordenou escolarizar o Império
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continuação do post anterior: O monasticismo católico e a restauração da fé, da cultura e das ciências




Importância de Carlos Magno na promoção da educação e da cultura

No final do século VIII, houve uma primeira tentativa de reerguimento da cultura ocidental. Carlos Magno conseguira reunir grande parte da Europa sob seu domínio. Para unificar e fortalecer o seu império, decidiu executar uma reforma na educação.

O monge inglês Alcuíno elaborou um projeto de desenvolvimento escolar que buscou reviver o saber clássico estabelecendo os programas de estudo a partir das sete artes liberais: o trivium, ou ensino literário (gramática, retórica e dialética) e o quadrivium, ou ensino científico (aritmética, geometria, astronomia e música).

A partir do ano 787, foram emanados decretos que recomendavam, em todo o império, a restauração de antigas escolas e a fundação de novas. Institucionalmente, essas novas escolas podiam ser monacais, sob a responsabilidade dos mosteiros; catedrais, junto à sede dos bispados; e palatinas, junto às cortes.

domingo, 18 de junho de 2017

O monasticismo católico e a restauração da fé, da cultura e das ciências

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O homem das letras desses primeiros séculos medievais era quase sempre um clérigo para quem o estudo dos conhecimentos naturais era uma pequena parte da escolaridade.

Esses estudiosos viviam numa atmosfera que dava prioridade à fé e geralmente tinham a mente mais voltada para a salvação das almas do que para o questionamento de detalhes da natureza.

Aqueles que desejavam investigar o mundo natural tinham suas opções limitadas pelo esquecimento do idioma grego.

Muitos dos estudos tinham que ser feitos com informações obtidas de fontes não científicas, eram frequentemente textos com informações incompletas e que traziam sérios problemas de interpretação.

Desse modo, por exemplo, manuais romanos de inspeção do solo eram lidos porque neles estavam incluídos elementos da geometria.

A vida quase sempre insegura e economicamente difícil dessa primeira parte do período medieval mantinha o homem voltado para as dificuldades do dia-a-dia.

O estudo da natureza era buscado mais por motivos práticos do que como uma investigação abstrata: a necessidade de cuidar dos doentes levou ao estudo da medicina e de textos antigos sobre remédios, o desejo de determinar a hora correta para rezar levou os monjes a estudar o movimento das estrelas, a necessidade de computar a data da páscoa os levou a estudar e ensinar os movimentos do Sol e da Lua e rudimentos da matemática.

domingo, 11 de junho de 2017

Raízes profundas da Idade Média emergem no presente francês

Para obter votos o futuro presidente Macron foi se fotografar na festa de Santa Joana d'Arc em Orleans
Para obter votos o futuro presidente Macron
foi se fotografar na festa de Santa Joana d'Arc em Orleans
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Pode parecer estranho, mas não é. No segundo turno da eleição presidencial francesa, em 7 de maio de 2017, os dois candidatos apostaram corrida para ver quem se identificava mais com a heroína medieval Santa Joana d’Arc, registrou a “Folha de S. Paulo”.

Nenhum deles é especialmente devoto, nem muito praticante, provavelmente só queriam o voto do eleitor.

Mas o que há na cabeça dos franceses para que ainda hoje o candidato se tornar presidente de uma República formalmente laica e agnóstica ele necessite mostrar-se também ligado ao passado sacral católico da França?

O jornal progressista e socialista parisiense “La Croix” foi à procura de eminências do pensamento francês para achar uma explicação do fenômeno que, para ele, parece uma aberração.

François Huguenin, autor de As grandes figuras católicas da França (“Les grandes figures catholiques de la France”, ed. Perrin) respondeu assim:

“Existe uma trama comum entre o cristianismo e a fundação da França. É impossível separar os fios da tapeçaria sem desmanchar tudo. O catolicismo é a matriz da França”.