domingo, 25 de junho de 2017

Importância de Carlos Magno na promoção da educação e da cultura

Carlos Magno ordenou escolarizar o Império
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






continuação do post anterior: O monasticismo católico e a restauração da fé, da cultura e das ciências




Importância de Carlos Magno na promoção da educação e da cultura

No final do século VIII, houve uma primeira tentativa de reerguimento da cultura ocidental. Carlos Magno conseguira reunir grande parte da Europa sob seu domínio. Para unificar e fortalecer o seu império, decidiu executar uma reforma na educação.

O monge inglês Alcuíno elaborou um projeto de desenvolvimento escolar que buscou reviver o saber clássico estabelecendo os programas de estudo a partir das sete artes liberais: o trivium, ou ensino literário (gramática, retórica e dialética) e o quadrivium, ou ensino científico (aritmética, geometria, astronomia e música).

A partir do ano 787, foram emanados decretos que recomendavam, em todo o império, a restauração de antigas escolas e a fundação de novas. Institucionalmente, essas novas escolas podiam ser monacais, sob a responsabilidade dos mosteiros; catedrais, junto à sede dos bispados; e palatinas, junto às cortes.

Essas medidas teriam seus efeitos mais significativos apenas séculos mais tarde. O ensino da dialética (ou lógica) foi fazendo renascer o interesse pela indagação especulativa; dessa semente surgiria a filosofia cristã da Escolástica.

Além disso, nos séculos XII e XIII, muitas das escolas que haviam sido estruturadas por Carlos Magno, especialmente as escolas catedrais, ganharam a forma de Universidades.

Progresso generalizado
O Renascimento do Século XII

Depois da contenção das últimas ondas de invasões estrangeiras no século X, seguiu-se uma fase de relativa tranqüilidade em relação às ameaças externas, que também coincidiu com um período de condições climáticas mais amenas.

A Europa Ocidental passa então por mudanças sociais, políticas e econômicas, que vão gerar o chamado Renascimento do Século XII.

Evoluções técnicas possibilitam o cultivo de novas terras e o aumento da diversidade dos produtos agrícolas, que sustentam uma população que passa a crescer rapidamente.

O comércio está em franca expansão, ocorre o desenvolvimento de rotas entre os diversos povos que reduzem as distâncias, facilitando não só o comércio de bens físicos, mas também a troca de idéias entre os países.

As cidades também vão abandonando a sua dependência agrária, crescendo em torno dos castelos e mosteiros.

Nesse ambiente receptivo, começam a ser abertas novas escolas ao longo de todo o continente, inclusive em cidades e vilas menores.

No campo intelectual, as mudanças são também fruto do contato com o mundo oriental e árabe através das Cruzadas e do movimento de Reconquista da Península Ibérica.

Na altura, o mundo islâmico encontrava-se bastante avançado em termos intelectuais e científicos. Os autores árabes tinham mantido durante muito tempo um contacto regular com as obras clássicas gregas (Aristóteles, por exemplo), tendo feito um trabalho de tradução que se tornaria valioso para os povos ocidentais, já que por este meio voltaram a entrar em contacto com as suas raízes eruditas entretanto “esquecidas”.

De facto, seja em Espanha (Toledo), seja no sul de Itália, os tradutores europeus vão produzir um espólio considerável de traduções que permitiram avanços importantes em conhecimentos como a astronomia, a matemática, a biologia e a medicina, e que se tornariam o gérmen da evolução intelectual européia dos séculos seguintes.


Embaixo: video
7. Os monges na construção da civilização ocidental


Se seu email não visualiza corretamente o vídeo embaixo CLIQUE AQUI





AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 18 de junho de 2017

O monasticismo católico e a restauração da fé, da cultura e das ciências

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O homem das letras desses primeiros séculos medievais era quase sempre um clérigo para quem o estudo dos conhecimentos naturais era uma pequena parte da escolaridade.

Esses estudiosos viviam numa atmosfera que dava prioridade à fé e geralmente tinham a mente mais voltada para a salvação das almas do que para o questionamento de detalhes da natureza.

Aqueles que desejavam investigar o mundo natural tinham suas opções limitadas pelo esquecimento do idioma grego.

Muitos dos estudos tinham que ser feitos com informações obtidas de fontes não científicas, eram frequentemente textos com informações incompletas e que traziam sérios problemas de interpretação.

Desse modo, por exemplo, manuais romanos de inspeção do solo eram lidos porque neles estavam incluídos elementos da geometria.

A vida quase sempre insegura e economicamente difícil dessa primeira parte do período medieval mantinha o homem voltado para as dificuldades do dia-a-dia.

O estudo da natureza era buscado mais por motivos práticos do que como uma investigação abstrata: a necessidade de cuidar dos doentes levou ao estudo da medicina e de textos antigos sobre remédios, o desejo de determinar a hora correta para rezar levou os monjes a estudar o movimento das estrelas, a necessidade de computar a data da páscoa os levou a estudar e ensinar os movimentos do Sol e da Lua e rudimentos da matemática.

Não era incomum o mesmo texto discutir tanto os detalhes técnicos quanto o sentido simbólico dos fenômenos naturais.

Embaixo: video
7. Os monges na construção da civilização ocidental


Veja toda a série de aulas: CLIQUE AQUI


continua no próximo post: Importância de Carlos Magno na promoção da educação e da cultura



AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 11 de junho de 2017

Raízes profundas da Idade Média emergem no presente francês

Para obter votos o futuro presidente Macron foi se fotografar na festa de Santa Joana d'Arc em Orleans
Para obter votos o futuro presidente Macron
foi se fotografar na festa de Santa Joana d'Arc em Orleans
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Pode parecer estranho, mas não é. No segundo turno da eleição presidencial francesa, em 7 de maio de 2017, os dois candidatos apostaram corrida para ver quem se identificava mais com a heroína medieval Santa Joana d’Arc, registrou a “Folha de S. Paulo”.

Nenhum deles é especialmente devoto, nem muito praticante, provavelmente só queriam o voto do eleitor.

Mas o que há na cabeça dos franceses para que ainda hoje o candidato se tornar presidente de uma República formalmente laica e agnóstica ele necessite mostrar-se também ligado ao passado sacral católico da França?

O jornal progressista e socialista parisiense “La Croix” foi à procura de eminências do pensamento francês para achar uma explicação do fenômeno que, para ele, parece uma aberração.

François Huguenin, autor de As grandes figuras católicas da França (“Les grandes figures catholiques de la France”, ed. Perrin) respondeu assim:

“Existe uma trama comum entre o cristianismo e a fundação da França. É impossível separar os fios da tapeçaria sem desmanchar tudo. O catolicismo é a matriz da França”.

Segundo seu ponto de vista, desde Clóvis, o primeiro rei franco que se fez batizar, “todos os nossos governantes estão submetidos a uma transcendência, uma verticalidade. Eles têm consciência permanentemente de que há um Deus que os transcende”.

No livro Deus escolheu a França (“Dieu choisit la France”, ed. Presses de la Renaissance), o professor auxiliar de História Camille Pascal concorda.

O singular é que isso acontece no fundo das cabeças de muitos presidentes, até mesmo socialistas, que da língua para fora não querem saber de religião.

A fidelidade ao Papa foi nota característica da França medieval. São Luis foi se encontrar com o Papa Inocêncio IV em Lyon que lhe pediu auxilio. Louis-Jean-Francois Lagrenee (1724-1805)
A fidelidade ao Papa foi nota característica da França medieval.
São Luis foi ver em Lyon o Papa Inocêncio IV que lhe pediu auxilio.
Louis-Jean-Francois Lagrenee (1724-1805)
Rémi Brague, historiador de filosofia medieval, foi aprofundar-se no catarismo, heresia do sul da França que suscitou contra si uma verdadeira Cruzada que a extinguiu no século XIV.

Segundo Brague, o catarismo fracassou porque recusava o ato de fidelidade feudal ao suserano, algo que o francês não podia aceitar.

Recusar a fidelidade do vassalo ao senhor e vice-versa trazia o “risco de destruição da ordem feudal”.

E explica: “Em nosso país, jamais existiu uma situação na qual a política não teve alguma dimensão religiosa e vice-versa”.

Mas houve e há todo o contrário: uma ferocidade laicista anticristã que se exprime no culto fanático dos Direitos do Homem.

Mas, a esse respeito, também o anticristianismo laicista teve um nascedouro cristão, é claro que num cristianismo herético.

E explica: foi a Revolução Protestante! Ela pregou que Cristo era o único mediador, que a Bíblia era o único mestre, que só havia a fé, sem necessidade das outras virtudes.

Desse tronco nasceu o Iluminismo racionalista que sabotou os fundamentos da monarquia até derrubá-la e implantar uma República laica, ateia, que muda segundo o capricho dos homens.

O pastor Antoine Nouis, conselheiro teológico da revista protestante “Réforme”, reconhece que “a ideia de uma pluralidade de religiões num mesmo reino é no fundo uma anomalia” que tinha que dar nas guerras de religião (1562-1598).

Nicolas Le Roux, secretário geral da Associação dos Historiadores Modernistas das Universidades Francesas, explica que no modo de ver do povo francês,

“O reino era visto como um corpo, imagem do Corpo Místico da Igreja. O rei era a cabeça desse corpo político e social. Por meio do convívio social, das festas, das procissões, das missas, se atingia a salvação.

“Deixar de ir à Missa, quebrar as imagens de Nossa Senhora, cantar os salmos em francês punha em perigo essa vida em comum, a salvação de todos”.

Contra a visão católica partilhada pelo conjunto não faltaram os galicanos, que punham a França por cima do Papa de Roma.

Alain Tallon, reitor da Faculdade de História da Sorbonne, estudou o caso e concluiu que apesar dos atritos históricos, “a subordinação ao Papado era considerada indispensável para a monarquia francesa. Ainda quando se discordava do Papa, fazia-se questão absoluta de não romper com Roma”.

O laicismo do século XVIII contestou a autoridade da Igreja. Ostentou a ideia de que se pode viver fora d’Ela, ser diferente, até proclamar um outro deus, o Ser Supremo da Revolução Francesa.

Para François Huguenin, a violência revolucionária foi “um sismo comparável à ascensão de Hitler ao poder em 1933: a aparição de uma lógica de violência exacerbada pelo vazio instalado no poder”.

Le Roux: “O reino era visto como uma imagem do Corpo Místico da Igreja” Busto-relicário de Carlos Magno. Fundo: catedral de Aachen (Aquisgrão)
Le Roux: “O reino era visto como uma imagem do Corpo Místico da Igreja”
Busto-relicário de Carlos Magno. Fundo: catedral de Aachen (Aquisgrão)
E segundo Jacques-Olivier Boudon, Napoleão encarnou o revolucionário violento que subiu como mais tarde fez Hitler. Mas, uma vez no poder, Napoleão tentou chegar a uma concordata com a Igreja para “instalar a paz religiosa após o cisma constitucional de 1789.

Porém, a ferida entre “azuis” (laicos e republicanos) e “brancos” (católicos e monarquistas) ainda continua muito profunda”.

A contribuição religiosa do Islã foi nula e fonte de guerra constante. O historiador de filosofia medieval árabe e judia, Rémi Brague, fala com clareza :

“Não, o islã não contribuiu para nossa história.

“Os saqueadores árabes e berberes que vieram até Poitiers só tinham o Corão numa mão e a cimitarra na outra. Eles vieram para pilhar”.

Hoje essas tendências subterrâneas carregadas de alta tensão voltam a se chocar.

Antoine Nouis vê na “atual crispação francesa a respeito do laicismo um fruto do desenvolvimento do conflito entre o Iluminismo e a religião”.

Nicolas Le Roux ironiza: “A liberdade de consciência é uma invenção. Cada um faz o que quer na sua casa. Mas depois de fechar a porta, não cante muito alto!

“O verdadeiro problema continua sendo que os modelos de Estado católico-monárquico e laico-republicano não são capazes de coabitar. Essa é a questão que se punha no século XVI e que se põe hoje”, concluiu.





AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 4 de junho de 2017

Fundo medieval emerge na França
e abala fachada laica-democrática

A sacralização da vida política francesa na Idade Média foi tão profunda que não foi possível apagá-la e até ressurge hoje
A sacralização da vida política francesa na Idade Média foi tão profunda
que não foi possível apagá-la e até ressurge hoje
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Na última eleição presidencial na França, o catolicismo fez uma irrupção rumorosa num país que se julgava definitivamente ganho pelo laicismo anticlerical da Revolução Francesa.

Todos os candidatos — inclusive o comunista-anarquista Mélenchon — acenaram para esta ou aquela passagem, ainda que remota, por alguma corrente do catolicismo, ou contato com ela.

O que houve? Cientistas sociais e políticos, jornais, acadêmicos, líderes partidários atilados se puseram na ingente tarefa de tentar descodificar o enigma.

Um deles foi Alain Tallon, reitor da Unité de Formation et de Recherche – UFR (outrora mais claramente “Faculdade”) de História da Universidade da Sorbonne, especialista em história religiosa, entrevistado pelo quotidiano parisiense “La Croix”.

Tallon partiu de uma evidência que não era “politicamente correta”: “A dimensão religiosa, e mais especialmente a questão do cristianismo, é essencial em nossa história.

“A própria laicização da sociedade francesa não conseguiu apagar totalmente o fato religioso. (...) A França, ao contrário de seus vizinhos alemães, italianos e espanhóis, foi um país uniformemente católico”, acrescentou, antes de pôr o dedo na chaga:

“Outra peculiaridade: a Revolução Francesa foi feita contra uma França católica. Nós vivemos ainda sob os efeitos desse divórcio entre a França republicana e a França católica”.

O professor Tallon foi sagaz, tentando embaralhar a oposição: o oposto de ‘republicana’ (realidade temporal) não é bem ‘católica’ (realidade religiosa espiritual).

Ele estava se referindo às posições ‘república versus monarquia’ e ‘laicismo versus catolicismo’.

Ou mais concisa e palpavelmente, à posição entre ‘republicano enquanto ateu’ versus ‘monarquista enquanto católico’. Mas isto na França é tema de explosividade atômica.

O jornalista tentou procurar outra via menos perigosa. E levou para um assunto, na verdade, não muito menos coruscante.

Prof. Tallon: a sacralidade da monarquia francesa não teve equivalente
Prof. Tallon: a sacralidade da monarquia francesa não teve equivalente
O professor Tallon foi claro: “Na França, a política sempre tirou, e largamente, seu vocabulário e seus ritos da religião”, leia-se do catolicismo.

E acrescentou: “Isso é verdade desde a Idade Média. A sacralidade da monarquia francesa não teve equivalente na Europa. Os franceses inventaram o rei taumaturgo. [NdT: que faz milagres. Após a sagração dos reis, eles saíam à praça e tocavam os doentes ‘escrofulosos’, dizendo: ‘o rei te toca, Deus te cura’ e muitos saíam dizendo-se curados!].

“Enquanto isso, a monarquia espanhola é profundamente laica desde a Idade Média: o rei não é ungido”.

Na França, os reis eram ungidos com óleo bento numa cerimônia eclesiástica na catedral de Reims. Em virtude dessa unção eles passavam a diáconos da Igreja, com um mundo de privilégios eclesiais e um rango menor no clero.

Esse costume é tão forte que até hoje os presidentes da República são considerados cônegos da catedral de São João de Latrão, com estala reservada. O ex-presidente Sarkozy chegou a ocupar essa sede canônica em sua primeira visita a Roma.

O jornalista, certamente menos letrado que o reitor da Faculdade de História de Paris, procurou outra pista. E acabou ouvindo verdades que arrepiam ao laicismo democrático, igualitário e vulgar inaugurado em 1789.

O reitor Tallon sublinhou que em país algum houve a sacralização do poder como na França. “E essa sacralização sobreviveu após a monarquia, inclusive sob Bonaparte e, em certo sentido, sob Charles de Gaulle”.

Todos esses chefes de Estado tentaram dar ares de monarca ungido pela Igreja. Napoleão se fez coroar pelo Papa Pio VII (de modo muito contestável) e Charles de Gaulle assumiu um ar pessoal de monarca, obviamente sem coroa alguma.

No subconsciente popular, Carlos Magno ainda é o modelo de governante
No subconsciente popular, Carlos Magno ainda é o modelo de governante
“O modelo de Carlos Magno — prosseguiu o professor — fez sonhar todos os soberanos franceses.

“Foi por isso que Henrique IV quis se reconciliar com Roma, em vez de criar uma Igreja nacional como fizera o modelo inglês. (...)

“Ele também compreendeu que se tratava do único meio para ele se tornar rei da França.

“Um rei da França protestante era uma coisa impossível, política ou ideologicamente.

“A sacralização da monarquia atingira tal ponto, que um rei calvinista não teria sido sagrado, não teria curado as escrófulas. Era algo inconcebível. Ele teria rompido com Roma e com o universalismo católico.

“A monarquia francesa se sente herdeira legitima de Roma porque o rei é o primeiro dos cristãos. (...)

“Nós nos sentimos investidos de uma missão pela França desde o fim da Idade Média. Essa foi a ideia constitutiva da criação da ‘nação França’.

“Desde a monarquia carolíngia o tema imperial foi sempre conjugado com Roma e o Papado. Quando houve conflitos opondo o Papa ao Imperador, a monarquia francesa sustentou o Papado.

“O episódio de Joana d’Arc foi um dos elementos. E isso continuou pela Renascença, com um rei como Francisco I se fazendo pintar em 1518 por Jean Clouet representado como São João Batista…

“Os embaixadores ingleses contam que eles foram recebidos pelo rei vestido como se fosse Cristo ! É algo completamente surpreendente…

“A ideia da nacionalidade francesa não foi constituída unicamente pela monarquia, mas também pela Igreja Católica”, concluiu.




AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 28 de maio de 2017

Na Idade Média nasceu a ciência logicamente sistematizada

A Geometria, The British Library
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Ainda perduram os ecos do laicismo anticristão visceralmente difamador da Idade Média pelo fato de ter sido uma época modelada pela Igreja Católica.

Professores e enciclopédias objetivas e atualizadas abandonaram essas visões laicista anticristãs e anti-medievais.

Um exemplo é a própria Wikipedia que, no verbete Ciência Medieval, fornece ricas e ponderadas informações sobre a Era Medieval, e que reproduzimos a continuação.

Caos pós-queda de Roma

A Europa Ocidental entrou na Idade Média em grandes dificuldades que minaram a produção intelectual do continente.

Os tempos eram confusos e havia-se perdido o acesso aos tratados científicos da antiguidade clássica (em grego), ficando apenas as compilações resumidas e até deturpadas que os romanos tinham traduzido para o latim.

Entretanto, com o início do chamado Renascimento do Século XII, renovou-se o interesse pela investigação da natureza.

A ciência que se desenvolveu nesse período áureo da filosofia escolástica dava ênfase à lógica e advogava o empirismo, entendendo a natureza como um sistema coerente de leis que poderiam ser explicadas pela razão.

Foi com essa visão que sábios medievais se lançaram em busca de explicações para os fenômenos do universo e conseguiram avanços importantes em áreas como a metodologia científica e a física.