domingo, 23 de abril de 2017

Idade das Trevas? Ou Idade da Luz da Fé e da razão irmanadas?

Esfera astral e relógio planetário, catedral de Estrasburgo, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Noções preconceituosas sobre a Idade Média já foram amplamente propagadas, inclusive por motivações políticas, e ainda hoje permanecem mitos no imaginário popular.

Isso também é verdadeiro quando se trata das noções da ciência no período: ele é muitas vezes referido pejorativamente como idade das trevas, sugerindo que nele não teria havido nenhuma criação filosófica ou científica autônoma.

Embora nenhum historiador sério utilize mais a expressão “Idade das Trevas” para sugerir atraso cultural, ainda hoje, mesmo nas escolas, são ensinadas noções equivocadas como a idéia falsa de que os estudiosos medievais acreditavam que a terra fosse plana.

O historiador Ronald Numbers, que é referência no campo da história da ciência, aponta alguns dos equívocos mais comuns do leigo em relação ao período.

Em primeiro lugar, como já mencionado, é errado imaginar que na idade média as pessoas educadas acreditavam que a Terra era plana: elas sabiam muito bem que a Terra é redonda como uma bola. Em segundo lugar é também comum o mito de que a igreja teria proibido autópsias e dissecações no período.

De maneira mais geral, as afirmações muito comuns de que o crescimento do Cristianismo teria “acabado com a ciência da antiguidade” ou que a igreja medieval teria “suprimido o crescimento das ciências naturais” não têm suporte nos estudos históricos contemporâneos, ainda que sejam repetidas por muitos como se fossem verdades históricas.

O legado científico medieval

Depois de superado o abalo de desastres como a Peste Negra, na parte final da Idade Média, o Ocidente pôde demonstrar um crescimento científico ainda mais exuberante no período subseqüente.

As sete artes liberais, 'Hortus deliciarum' de Herrad von Landsberg (1180)
Os avanços na óptica, obtidos durante a Idade Média, logo iriam gerar aparelhos como o microscópio e o telescópio.

Esses dois instrumentos juntamente com a prensa móvel, (fruto medieval), são vistos por muitos como os equipamentos mais importantes já criados para o avanço do conhecimento humano.

É preciso também ressaltar os avanços na física:

O tardio movimento científico medieval concentrou-se na ciência física (...).

Foi um trabalho que deveria ter continuidade nos séculos seguintes, na época que veio a se chamar de Renascença e no período que é muitas vezes denominado de Revolução científica.

E é nas ciências físicas que vemos mais claramente a emergência da ciência moderna, baseada, em grande parte, nas atitudes inquiridoras dos sábios do fim da Idade Média.

Mas, foram provavelmente o nascimento e desenvolvimento das universidades, juntamente com as primeiras sementes do que se tornaria a metodologia científica contemporânea, as heranças mais importantes do período.

Muito em breve aquela civilização que herdara um império em frangalhos iria revolucionar o entendimento do homem acerca de seu lugar no mundo e no universo.

Por mais que os homens do renascimento e de momentos históricos subseqüentes às vezes fizessem questão de esquecer, muito disso foi possibilitado pelas conquistas medievais.

(Fonte: Wikipedia, verbete Ciência Medieval)



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domingo, 16 de abril de 2017

O povo medieval: verdadeiro legislador

Os costumes geralmente praticados viravam leis sagradas
Os costumes geralmente praticados viravam leis sagradas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na Idade Média o povo legislava mediante leis consuetudinárias.

Consuetudo é uma palavra latina que significa costume. A lei consuetudinária não era feita por legisladores encerrados num Parlamento.

Ela era a codificação dos costumes que todas as categorias sociais tinham elaborado.

Essas leis eram guardadas na mente dos populares. Os anciões eram seus guardiões mais zelosos.

Quando a necessidade impunha elas eram transcritas em pergaminhos. Estes eram guardados como tesouros.

As leis consuetudinárias eram verdadeiros compêndios de sabedoria popular.

Nem o rei, nem o nobre, nem os eclesiásticos podiam ir contra o costume, desde que não violasse a Lei de Deus e os demais costumes já existentes.

Na vida quotidiana de um povo que aspirava à perfeição o bom costume aceito pelo conjunto virava lei. Violar essa lei, ainda no período que não estava transcrita, era uma coisa que soava a coisa de insensato.

Não havia oposição entre os costumes de todos e a lei
Não havia oposição entre os costumes de todos e a lei
Grande parte das leis existentes na Idade Média era fruto de costumes repetidos que se transformaram em legislação.

Esta variava de feudo para feudo, como por exemplo, o modo de passar recibo, de legar herança, como também as leis de compra e venda de mercadorias, etc.; porque tudo nascia dos costumes do povo.

As leis sobre comércio, indústria e trabalho nasciam das relações de trabalho.

Dessa maneira, a lei estava adaptada à realidade e todos se sentiam a vontade praticando-a até de modo exemplar.

O povo então amava a lei e até se regozijava com ela ponderando sua cordura, moderação e seus infinitos jeitinhos.

Os Reis apenas ordenavam que fossem escritas, reviam e corrigiam o que fosse injusto ou contrário à doutrina e à lei da Igreja.

Era uma participação efetiva no direito de legislar, de que gozava o povo na Idade Média.

A lei era amada e respeitada porque era amável e respeitosa
A lei era amada e respeitada porque era amável e respeitosa
A lei consuetudinária começou a ser desrespeitada pelo absolutismo real que apareceu durante a decadência da era medieval.

O menosprezo aumentou com os déspotas esclarecidos inspirados pelo Iluminismo revolucionário após a Idade Média.

A Revolução Francesa consagrou o sistema de legisladores e teorizadores democráticos que legislam longe da realidade.

Então a lei escrita foi se descolando da vida concreta.

Sob certos aspectos, virou para muitos uma espécie de flagelo do qual até os cidadãos honestos não querem apanhar e tentam fugir.

Tal é o caso da escalada devoradora dos impostos e as impenetráveis Babéis da burocracia moderna.




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domingo, 9 de abril de 2017

Os teólogos medievais sistematizaram racionalmente
as provas da existência de Deus

A Idade Média sistematizou as vias para provar a existência de Deus
Luis Dufaur
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Nós encontramos nas Sagradas Escrituras provas divinas da existência de Deus: é Deus se revelando a Si próprio.

Os Apóstolos, Padres e Doutores da Igreja demonstraram sua existência das mais variadas e admiráveis formas, com ciência, sabedoria e eloquência.

E isto sem falarmos da sublime luminosidade do Evangelho em que a divindade de Jesus Cristo patenteia-se, por assim dizer em cada palavra inspirada, na sua Vida e Morte, nos seus ensinamentos, conselhos e exemplos.

Entretanto, coube a grandes santos medievais a sistematização das várias vertentes, ou vias, por onde se prova a existência de Deus com evidência como que matemática .

Esta forma de provar é especialmente útil nos nossos dias. Pois há uma certa asneira moderna que gostaria reduzir a Fé a um mero sentimento subjetivo, e a piedade a uma dulçurosa experiência.

Nessa perspectiva a Igreja seria a congregação, ou beatério, de subjetivistas melosos mas perfeitamente irracionais. A realidade positiva poria de lado essas sentimentalidades, próprias de mulheres e espíritos débeis.

São Tomas de Aquino, óleo na catedral Notre Dame de Paris
Entretanto, o arcabouço lógico-filosófico medieval reduz a cinzas essas ofensivas objeções.

O raciocínio lógico e o vôo místico conjugados são uma nota distintiva do espírito da Era da Luz.

O mais grande dos teólogos medievais ‒ e de todos os tempos ‒ São Tomás de Aquino classificou as provas da existência de Deus, em cinco vias, em função das causas admitidas pela filosofia perene ‒ isto é a filosofia que não se pode negar sem cair em erro ou loucura.


PRIMEIRA VIA: O MOVIMENTO

Na “primeira via” entram as provas da existência de Deus pelo movimento. Isto é, é evidente que as coisas se movem. E se movem porque alguém ou algo as põe em movimento. Nenhum carro anda sozinho.

Indagando quem causou o movimento, acabamos encontrando um motor. Quem pôs em movimento esse motor? O motorista. E quem pôs em movimento o motorista? Prosseguindo com a indagação acabamos encontrando no fim do inquérito que é necessária a existência de um motor primeiro e único. Esse é Deus.

Assim explica São Tomás na sua célebre “Suma Teológica” (I, 2,3)

“É inegável, e consta por testemunho dos sentidos, que no mundo há coisas que se movem. Pois bem: tudo o que se move é movido por outro, já que nada se move a não ser enquanto está em potência com relação aquilo para o que se move.

“Por outro lado, mover requer estar em ato, já que mover não é senão fazer passar algo da potência ao ato, e isto não o pode fazer senão o que já está em ato, do mesmo modo que o quente em ato ‒ o fogo ‒ faz com que um madeiro, que está quente só em potência, passe a estar quente em ato.

Relógio de Praga
“Ora bem: não é possível que uma mesma coisa esteja, ao mesmo tempo, em ato e em potência em relação a algo; só em relação a diversas coisas; e assim, o que é quente em ato não pode estar quente em potência para esse mesmo grau de calor, mas só para outro grau de calor mais alto, ou seja, que em potência está ao mesmo tempo frio.

“É, pois impossível que uma mesma coisa seja ao mesmo tempo e do mesmo modo motor e móvel, ou que se mova a si mesma. É preciso concluir, por conseguinte, que tudo o que se move é movido por outro. Mas se este outro é, por sua vez, movido por um terceiro, este terceiro necessitará outro que o mova a ele, e este a outro, e assim sucessivamente.

“Mas não se pode proceder indefinidamente nesta série de motores, porque então não haveria nenhum motor primeiro e, por conseguinte, não haveria motor nenhum, pois os motores intermediários não movem senão em virtude do movimento que recebem do primeiro, da mesma maneira que um bastão não se move se a mão não o impulsiona.

“É necessário, por conseguinte, chegar a um motor primeiro que não seja movido por ninguém, e este é o que todos conhecemos como Deus”.

                                                                                                                         

No mundo que nos rodeia há uma infinitude de coisas que se movem. É um fato que não precisa demonstração: basta abrir os olhos para contemplar o movimento por todos os lados.

A imensidão infindável do céu exige um motor primeiro
Ora bem: pondo de lado o movimento dos seres vivos, que, precisamente em virtude da própria vida, têm um movimento imanente que lhes permite crescer ou ir de um lado para outro sem outra influência aparente a não ser a de sua própria natureza ou a de sua própria vontade, é um fato claro e indiscutível que os seres inanimados (ou seja, todos os que pertencem ao reino mineral) não podem mover-se a si mesmos, e pelo contrário necessitam que alguém os mova.

Se ninguém move uma pedra, esta permanecerá quieta e inerte por toda a eternidade, já que ela não pode mover-se a si mesma, já que carece de vida e, por isso mesmo, está desprovida de todo o movimento imanente.

Apliquemos então este princípio tão claro e evidente ao mundo sideral e perguntemo-nos quem pôs e põe em movimento essa máquina colossal do universo estelar, que não tem em si mesma a razão do seu próprio movimento, já que se trata de seres inanimados pertencentes ao reino mineral.

E por mais que queiramos multiplicar os motores intermediários, não teremos remédio senão chegar a um Motor Primeiro imóvel incomparavelmente mais potente do que o próprio universo, já que o domina com poder soberano e o governa com infinita sabedoria.

Verdadeiramente, para demonstrar a existência de Deus basta contemplar o espetáculo maravilhoso de uma noite estrelada, sabendo que esses pontinhos luminosos espalhados pela imensidade dos espaços como pó de brilhantes são sóis gigantescos que se movem a velocidades fantásticas, apesar da sua aparente imobilidade.


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Provas racionais da existência de Deus.
A Igreja Católica: Construtora da Civilização







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domingo, 2 de abril de 2017

Requintes medievais na arte de ensinar aos alunos

Jovem doutor em leis, do século XV
Jovem doutor em leis, do século XV
Luis Dufaur
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Para os homens da época (medieval), as palavras eram transparentes: havia um prazer muito grande em saborear o sentido etimológico delas.

Os intelectuais de então diziam que o homem é um ser que esquece suas experiências.

Ele consegue resgatá-las através da linguagem .

Assim, a expressão educação era entendida como estando associada à sua raiz etimológica latina: educe, “fazer sair”.

Como o conhecimento já existia inato no indivíduo, restava responder à seguinte pergunta: de que modo o estudante era conduzido da ignorância ao saber?

Como o aluno aprendia?

Essa era a questão básica dos educadores medievais.

Preocupados com a forma da aquisição, os pedagogos de então tiveram uma importante consciência: cabia ao professor “acender uma centelha” no estudante e usar seu ofício para formar e não asfixiar o espírito de seus alunos.

Muito moderna a educação medieval!

(Autor: Ricardo da Costa, Prof. Adjunto de História Medieval da Universidade Federal do Espírito Santo. Home-page: www.ricardocosta.com riccosta@npd.ufes.br. Texto completo em Mania de História).



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